Economista André Lara Resende propõe redução gradual da Selic; governo e PT negam discussão da proposta
O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, propôs em artigo publicado em 25 de setembro de 2026 no Substack a criação de um Conselho Fiscal Monetário Nacional e a redução gradual da Selic dos atuais 13,75% ao ano para cerca de 7,5% em 12 meses.

Resumo da cobertura
- O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, propôs em artigo publicado em 25 de setembro de 2026 no Substack a criação de um Conselho Fiscal Monetário Nacional e a redução gradual da Selic dos atuais 13,75% ao ano para cerca de 7,5% em 12 meses. Segundo o texto, o principal motor do desequilíbrio fiscal seria o custo elevado da dívida pública, e não o déficit primário. A proposta ganhou repercussão após rumores de que teria sido apresentada ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
- No dia 3 de novembro de 2026, o economista John Cochrane, da Universidade Stanford, publicou no Substack a análise “Fisher and Resende in Brazil”, em que elogia o texto, mas manifesta “preocupações”, sobretudo com o lado fiscal. Na mesma data, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a proposta tem “deficiências” e não é discutida pelo Executivo, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse que ela “nunca foi debatida” com Lula ou com a legenda. O coordenador do programa de governo, José Sergio Gabrielli, disse ser favorável a um conselho fiscal e monetário, mas não à redução forçada dos juros. Os textos consultados não trazem a íntegra de todos os trechos citados, e alguns veículos só foram lidos por manchete e linha fina.
Como cada lado titulou
Como cada lado cobriu
Apenas a Folha Em Cima da Hora, classificada como veículo de centro-esquerda, cobriu o fato, de modo que a leitura vem só dela. Sua manchete afirma que os planos “fracassariam antes mesmo de começar”, enquadramento que antecipa um desfecho negativo. A linha fina descreve a notícia como uma “pororoca” e um “confronto virtual e viralizado” entre críticos, destacando a repercussão nas redes sociais e não o conteúdo da proposta.
Poder360 e Valor Economico, ambos classificados como veículos de centro, dão mais ênfase à proposta e às vozes oficiais. O Poder360 publicou três textos: “Economista dos EUA cita preocupação com proposta de Lara Resende”, que destaca Cochrane; “Gabrielli diz ser contra limitar juros, mas elogia André Lara Resende”, que destaca a distinção entre conselho monetário e tabelamento de juros; e o texto com Edinho Silva. O Valor Economico, com “Entenda a proposta de André Lara Resende para reduzir os juros no Brasil”, adota tom explicativo. Na linha fina, a proposta aparece como “uma mudança profunda na forma como o Brasil conduz as políticas fiscal e monetária”. O corpo do texto detalha o diagnóstico de que o principal motor do desequilíbrio é “o custo elevado da dívida pública”, e não o déficit primário.
Estadao e NeoFeed, classificados como veículos de centro-direita, enfatizam a cautela técnica e a reação política. O Estadao publicou “Economista citado por Lara Resende diz que ideia do brasileiro não foi testada”, com a citação de Cochrane: “apenas significa que estamos nos aventurando por uma teoria que pode funcionar, mas não foi testada”. O NeoFeed, com “André Lara Resende: muito barulho por nada?”, destaca que o governo “correu para pôr panos quentes” e apresenta a ex-ministra Gleisi Hoffmann como defensora da proposta, além de interpretar, segundo um aliado do Planalto, o episódio como uma “viagem” com mensagem de pressão ao Banco Central. A leitura do NeoFeed vem da manchete, da linha fina e do trecho disponível do corpo do texto. A leitura do Estadao vem da manchete, da linha fina e do trecho disponível do corpo do texto.
