Riscos fiscais da União caem para R$ 4,87 tri em 2025, mas seguem elevados, segundo o Tesouro
O Tesouro Nacional divulgou nesta terça-feira (3) o Relatório de Riscos Fiscais da União (RRFU), no qual os riscos fiscais estimados para a União somam R$ 4,87 trilhões em 2025, ante R$ 5,09 trilhões em 2024, segundo o Valor Economico.
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Resumo da cobertura
- O Tesouro Nacional divulgou nesta terça-feira (3) o Relatório de Riscos Fiscais da União (RRFU), no qual os riscos fiscais estimados para a União somam R$ 4,87 trilhões em 2025, ante R$ 5,09 trilhões em 2024, segundo o Valor Economico. Esse valor representa mais de um terço do PIB. Os riscos são eventos com possíveis impactos sobre as contas federais que estão fora do controle do governo, sobretudo precatórios. As ações judiciais respondem por 47% do total: o estoque somava R$ 2,27 trilhões em 2025 e caiu para R$ 2,19 trilhões no cálculo de junho deste ano. A queda decorre quase integralmente da reclassificação de ações previdenciárias de risco possível para remoto, segundo o diretor da IFI Alexandre Andrade. Os demais riscos citados são ligados a entes federativos (R$ 888,8 bilhões), dívida ativa (R$ 708,3 bilhões), garantias (R$ 336,6 bilhões) e fundos constitucionais (R$ 300 bilhões).
- O Tesouro também manteve a projeção de alta da dívida bruta do governo geral para até 89,7% do PIB em 2030, no PLDO de 2027. Atualmente o indicador está em 82,9% do PIB. No plano político, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, discute medidas de ajuste, como revisão de benefícios tributários e despesas obrigatórias, e a Diap aponta 124 dos 513 deputados como aliados fiéis de Lula. Há divergência de detalhe: o Valor cita valores de risco provável e possível em “milhões” que não fecham com o total, por isso esta divisão não é publicada aqui; o dado confirmado é o estoque total de R$ 2,19 trilhões em demandas judiciais.
Como cada lado titulou
Como cada lado cobriu
Só há um veículo de centro-esquerda monitorado neste fato: a Folha Em Cima da Hora, com o podcast “Podcast analisa cobranças por ajuste fiscal e desafios de Lula na economia”. A leitura vem apenas desse veículo e de manchete e linha fina, sem acesso ao corpo do texto. A linha fina trata do ministro Dario Durigan dizendo que o governo prepara um ajuste fiscal “gradual , que respeite compromissos sociais assumidos na campanha e equilibre as contas públicas”. O enquadramento destaca as cobranças por ajuste e os desafios de Lula, unindo a pressão fiscal ao compromisso social da campanha. Os dados do RRFU não aparecem nos trechos disponíveis.
Só há um veículo de centro monitorado neste fato: o Valor Economico, com a manchete “Risco fiscal tem queda em 2025, mas segue elevado” e a linha fina “puxado especialmente por ações judiciais contra a União”. A leitura vem apenas desse veículo, que traz texto mais extenso. Ele destaca a queda dos riscos de R$ 5,09 trilhões para R$ 4,87 trilhões e o peso das ações judiciais. O economista Jeferson Bittencourt (Asa) afirma que a queda “é real, mas pode ser menos sustentável do que aparenta”, enquanto o diretor da IFI, Alexandre Andrade, diz que “os riscos continuam elevados, ainda que tenha havido queda nos valores” e que a queda vem da reclassificação, pois “mudou a avaliação jurídica das ações, mas as disputas continuam em curso”. O texto também aponta que o relatório deixa de fora riscos como a transição da CBS.
Três veículos de direita e centro-direita monitorados tratam do fato, com ênfases diferentes e sem cobertura direta do RRFU nos trechos disponíveis. O InfoMoney Geral (centro-direita) afirma “Com 124 deputados fiéis, o que Lula terá de negociar para aprovar um ajuste fiscal?”, focando a base parlamentar no Congresso. O Estadao (centro-direita) diz que “Congresso tem o dever de fiscalizar o Orçamento” e acusa “a falta de empenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva” em reorganizar as contas, colocando o papel do Congresso no centro. A Gazeta do Povo Economia (direita), com três textos, aborda o endividamento: “Tesouro prevê dívida bruta em 89,7% do PIB em 2030 com pressão de juros elevados” e “Descontrole das contas federais ameaça travar empréstimos no Brasil”, cuja linha fina fala em “caos nas contas do governo”. A mesma Gazeta também publica “Senador Eduardo Braga será o relator do Orçamento de 2027”, com linha fina sobre o compromisso com o equilíbrio fiscal. Os três trechos tratam de base parlamentar, papel do Congresso e endividamento, e a Gazeta usa termos mais carregados como “descontrole” e “caos”.
