Copom mantém Selic em 13,75% ao ano e interrompe sequência de cinco cortes
Em 4 de novembro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.

Resumo da cobertura
- Em 4 de novembro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão interrompe um ciclo de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, iniciado após a Selic ter ficado em 15% ao ano. A decisão foi tomada poucos dias depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No comunicado, o Copom citou piora das expectativas de inflação, incertezas fiscais, desaceleração da atividade e um cenário externo adverso, com os conflitos no Oriente Médio pressionando o petróleo. O colegiado não indicou quando retomará os cortes. A próxima reunião está prevista para 8 e 9 de dezembro.
- As fontes divergem em alguns dados. O Brasil de Fato diz que o IPCA de 12 meses subiu de 4,5% para 4,62%, enquanto a Revista Fórum cita 4,58% até setembro, acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância. Sobre o início dos cortes, a Revista Fórum e a Revista Oeste dizem março, e o Brasil de Fato diz abril. Sobre as expectativas do mercado, o Brasil de Fato afirma que se esperava um corte de 0,25 ponto, enquanto o Money Times estima cerca de 70% de chance de manutenção. Segundo o Poder360, a projeção de inflação do Banco Central para 2027 subiu de 3,9% para 4,7%, e para o 2º trimestre de 2028 passou de 3,2% para 3,5%, dado que o Valor Econômico também registra como revisão feita pelo BC na decisão.
Como cada lado titulou
Como cada lado cobriu
Os dois veículos de esquerda analisados tratam a decisão com ênfase em seus efeitos sobre a atividade e o crédito. O Brasil de Fato publicou «Banco Central surpreende e mantém juros básicos em 13,75% ao ano» e explica a pausa pelas «tensões em torno do câmbio e do fenômeno climático El Niño», destacando o trecho do comunicado que pede «serenidade e cautela». O texto também lembra que o Copom está desfalcado, já que o mandato de dois diretores expirou e o presidente ainda não enviou substitutos ao Congresso. A Revista Fórum publicou «Banco Central mantém Selic em 13,75% e alerta para cenário de incertezas», com linha fina que descreve a política como uma restrição «prolongando uma política monetária restritiva que encarece o crédito para as famílias e dificulta investimentos produtivos no país». A Fórum também cita a «moderação mais acentuada da atividade econômica» reconhecida pelo próprio BC e relaciona a decisão ao contexto da reeleição de Lula (PT).
Os cinco veículos de centro concentram-se nas expectativas de inflação, nas projeções de mercado e na reação de setores econômicos. O Valor Econômico destacou «Copom deu peso à piora das expectativas» e, em outra matéria, «BC reconhece cenário mais desafiador, mas não dá pistas sobre próximos passos». O Poder360 trouxe duas abordagens: «Indústria diz que manutenção da Selic em 13,75% é injustificável», com a visão da CNI, e «Mercado vê Selic em 13,75% até 2027», com projeções de economistas. A CNN Brasil enfatizou «Após alívio com manutenção dos juros, mercado não vê novos cortes em breve». O Metropoles Brasil ressaltou «Brasil segue com maior juro real do mundo após Copom manter Selic em 13,75%», usando um ranking da MoneYou com Lev Intelligence. O Notícias ao Minuto reproduz a linha fina do Brasil de Fato sobre o câmbio e o El Niño, sem acrescentar enquadramento próprio.
Os quatro veículos de direita e centro-direita (Money Times, InfoMoney, Revista Oeste e Estadão) combinam leitura técnica do comunicado com críticas à atuação do BC e ao cenário político. O Money Times publicou «Copom alivia o tom, mas não mostra pressa para voltar a cortar juros», com a avaliação do economista Stephan Kautz de que «a barra para subir juros parece bastante alta». A InfoMoney destacou «Trava para investimentos: entidades empresariais criticam manutenção da Selic» e, em outra matéria, «Selic a 13,75%: Sem ajuste fiscal, mercado vê juros travando a economia até 2027», colocando o fator fiscal em destaque. O Estadão publicou «Banco Central não se dobra a pressões políticas e mantém juros com piora do cenário para a inflação», ressaltando que a decisão foi tomada dez dias após a eleição que garantiu mais um mandato a Lula. A Revista Oeste (direita) tratou a decisão como «Em 1ª reunião depois da eleição, BC interrompe cortes e mantém juros a 13,75%» e lembrou que o Brasil ainda tem a maior taxa de juro real do mundo.
