Após o segundo turno, denúncias de assédio eleitoral crescem e Justiça manda esposa de Carlos Jordy apagar vídeo
Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, em 25 de outubro de 2026, cresceram as denúncias de assédio eleitoral no trabalho e surgiram boicotes a eleitores petistas.

Resumo da cobertura
- Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, em 25 de outubro de 2026, cresceram as denúncias de assédio eleitoral no trabalho e surgiram boicotes a eleitores petistas. Em 30 de outubro, o TRT da 1ª Região (RJ), por liminar, mandou Laís Jordy, esposa do senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ), apagar de suas redes um vídeo do Instagram em que dizia “demita um petista”, e proibiu novas publicações que estimulem demissões por convicção política. O juiz Hernan Fleury Chaves Ribeiro fixou multa, que as fontes descrevem como R$ 20 mil por dia (Revista Fórum) ou por ato (Estadão). O MPT pede indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos, a ser avaliada no julgamento final. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), acionou o MPT contra o deputado Zé Trovão (PL-SC) e pede a abertura de inquérito civil sobre a campanha “demita um petista”.
- Os números divergem por fonte e por período. O MPT nacional tinha 4.595 denúncias de assédio eleitoral no ano, segundo a coluna do Metropoles; o Brasil de Fato cita 3.396 denúncias até 29 de outubro. O Ministério do Trabalho e Emprego, segundo a Agência Brasil, informou mais de 7 mil denúncias, ante 4.305 até 31 de outubro, e o ministro Luiz Marinho ponderou que nem todas correspondem a casos concretos. No Paraná, o MPT-PR registrou 465 denúncias, ante 142 antes do segundo turno. Em Umarizal (RN), a jovem Clara Thaís Silva Maia, de 18 anos, teve a garganta cortada pelo namorado após comemorar a reeleição de Lula; ela recebeu alta, e sua advogada obteve medida protetiva contra o irmão do suspeito. Em Santos (SP), um adolescente de 16 anos foi apreendido por suspeita de envolvimento na morte de um engenheiro que participava de um ato pró-Lula.
Como cada lado titulou
Como cada lado cobriu
Os veículos de esquerda e centro-esquerda deram ênfase à campanha de demissões e ao papel das autoridades. A Revista Fórum (esquerda) titulou “‘Demita um petista’: Justiça toma decisão contra esposa de Jordy” e, em outro texto, “Líder do PT aciona MPT contra Zé Trovão por apoio à campanha de demissão de ‘petistas’”, atribuindo a ação ao líder petista, que pede inquérito civil. Também destacou os dados do governo com “Assédio eleitoral: governo registra mais de 7 mil denúncias e ministro alerta empresários”, reproduzindo o recado de Marinho: “recuem”. O Brasil de Fato (esquerda) enfatizou o levantamento regional, com “Ministério Público do Trabalho registra 465 denúncias de assédio eleitoral no Paraná”, e publicou a análise “Bolsonarismo: a política do ódio, da intolerância e da violência”, que liga o comportamento de militantes à trajetória de Jair Bolsonaro. A Revista Fórum publicou ainda o artigo de opinião “A destruição do bolsonarismo”. A Folha (centro-esquerda) tratou de episódios de violência e intimidação com “Policial civil é suspeito de agredir jovem em local de votação em São Paulo” e “Alunos de medicina em Curitiba relatam ofensas de colegas ligadas ao resultado das eleições”. O UOL (centro-esquerda) noticiou a decisão com “TRT manda esposa de senador eleito apagar vídeo em que diz ‘demita um petista’”.
Os veículos de centro tiveram a cobertura mais ampla, com episódios de violência, boicote e números. A Terra usou “Derrota nas urnas vira combustível para boicotes, demissões e agressões de bolsonaristas contra petistas”, e o Metrópoles noticiou “‘Empreendireita’: grupo bolsonarista ordena boicote a petistas no interior”, com a ressalva de que moradores “denunciam” a criação do grupo. O Metropoles Colunas tratou da reação institucional com “Conselho do MP mira boicotes e ameaças após resultado das eleições” e dos números com “‘Demita um petista’: MP soma 4,5 mil denúncias de assédio a funcionários”. A CNN Brasil publicou “SP: adolescente é apreendido por morte de jovem em ato pró-Lula no litoral” e “Jovem que teve garganta cortada pelo namorado nas eleições tem alta no RN”. O G1 relatou “Servidora é atropelada durante comemoração após resultado das eleições”. A BBC Brasil destacou a história de uma adolescente de 13 anos com “Minha filha adolescente sofreu ofensas racistas, sexuais e religiosas após resultado das eleições”. A ConJur (centro) fez a leitura de fundo com “Eleições tornaram visível gravidade do assédio eleitoral no trabalho”, ao associar a dependência econômica do trabalhador ao voto. A Terra e o UOL também noticiaram a decisão contra Laís Jordy, e o Notícias ao Minuto tratou do impacto do resultado sobre os irmãos Bolsonaro com “O que muda para Flávio e Eduardo Bolsonaro com a derrota de Trump?”, tema que não é o assédio.
Os veículos de direita e centro-direita concentraram-se no caso Laís Jordy e na ação judicial. A VEJA Política (centro-direita) apresentou o caso como “Ação pede que esposa de senador pague 500 mil reais por estimular ‘demissão de petistas’”, destacando o pedido de indenização, e na linha de apoio informou que a Justiça proibiu novas publicações. O texto reproduziu a fala de Laís, “é legítimo discutir isso, obviamente respeitando o direito de cada um”, e ressaltou que a decisão é liminar e provisória. O Estadão (centro-direita) noticiou “TRT manda esposa de senador eleito apagar vídeo em que diz ‘demita um petista’” e incluiu o guia de orientação “Votou e o patrão não gostou? Entenda como se proteger do assédio eleitoral”. O Estadão também publicou o editorial “A cidadania obriga”, que trata da aceitação do resultado por Flávio Bolsonaro e não do assédio no trabalho. A leitura do campo vem somente desses dois veículos, e nenhum deles cobriu os casos de boicote, as denúncias do MPT-PR, o caso de Umarizal ou a ação contra Zé Trovão.
