Alcolumbre adia votação da PEC da maioridade penal no Senado e aguarda a Câmara dos Deputados
Nesta quarta-feira (4), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não colocar em votação, neste momento, a PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.

Resumo da cobertura
- Nesta quarta-feira (4), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não colocar em votação, neste momento, a PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Segundo ele, a decisão atende a um pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que se comprometeu a votar a matéria em novembro. Alcolumbre afirmou que o Senado aguardará a conclusão da análise pela comissão especial da Câmara e disse que pretende preservar a relação institucional entre as duas Casas.
- As fontes divergem em alguns pontos. Estadão atribui a iniciativa de adiamento ao presidente Lula, que teria telefonado a Motta e a Alcolumbre, enquanto Alcolumbre e a maioria dos veículos atribuem o pedido a Motta. A oposição, representada pelo líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), reclamou do descumprimento de um acordo. O prazo do relatório também varia: a Câmara dos Deputados informou que o relator, Mendonça Filho (PL-PE), apresentará o parecer no final do mês, e o Estadão registrou que o relatório deve sair até o fim de novembro. O presidente da comissão especial, Aluisio Mendes (Republicanos-MA), criticou a movimentação do Senado. A Câmara também informou que a comissão aprovou 12 requerimentos para audiências públicas e que o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) defendeu a redução para 14 anos em crimes hediondos.
Como cada lado titulou
Como cada lado cobriu
Os dois veículos de esquerda monitorados publicaram quatro matérias: a UOL Notícias (centro-esquerda) em três e a Revista Forum (esquerda) em uma. A UOL deu destaque à queixa da oposição, na manchete "Líder do PL no Senado reclama de não votação da maioridade: Não tem mais acordo sobre nada", cuja linha fina diz que Portinho acusou governo e Alcolumbre de descumprir um acordo. Nas outras matérias, a UOL tratou a decisão como fato consumado, com "Alcolumbre recua e PEC da Maioridade seguirá tramitação na Câmara" e "Alcolumbre: Não vou pautar hoje redução da maioridade penal; esperarei projeto da Câmara", com a fala do próprio senador. A Revista Forum enquadrou o episódio como recuo: "Após pedido de Hugo Motta, Alcolumbre recua sobre redução da maioridade penal", e descreveu a decisão como "um recuo em relação à sinalização dada" anteriormente. Nesse campo, a leitura se concentra no vaivém do Senado e na reclamação da oposição.
Os seis veículos de centro publicaram sete matérias, já que a Metropoles Brasil apareceu duas vezes. A maioria usou verbos de decisão ou de adiamento. O Congresso em Foco informou que a PEC não será colocada em votação "neste momento" e citou o acordo com Motta. O G1 destacou "Alcolumbre decide aguardar Câmara votar redução da maioridade penal para pautar tema no Senado | G1", com a fala do senador sobre "atender esse pedido". A CNN Brasil foi a única a relativizar o fato, com "Alcolumbre nega que haja decisão para votar maioridade nesta quarta". O Valor Econômico apresentou "Alcolumbre adia votação da PEC da redução da maioridade penal". O Poder360 enquadrou a decisão como acordo: "Alcolumbre deixa maioridade penal para a Câmara após acordo com Motta". Uma das matérias da Metropoles trouxe "Alcolumbre decide aguardar Câmara e retira redução da maioridade da pauta", e a outra deu voz ao presidente da comissão especial: "Presidente de comissão da Câmara vê pressa do Senado na PEC da maioridade", em que Aluisio Mendes afirma que o Senado está "atropelando" o debate.
Os três veículos de direita e centro-direita publicaram quatro matérias, com duas do Estadão (centro-direita). O Estadão atribuiu a decisão a Lula na manchete "Após pedido de Lula, Alcolumbre barra votação imediata de PEC da Maioridade", e a linha fina diz que o presidente "interveio para adiar a votação". Na outra matéria do Estadão, "‘É absurdo a Câmara ser atropelada’, diz presidente de comissão sobre maioridade penal", a voz do deputado Aluísio Mendes é o centro da cobertura, com a crítica de que a votação seria feita "em afogadilho". A Gazeta do Povo (direita) destacou a conversa com Motta: "Após conversa com Motta, Alcolumbre adia votação da redução da maioridade penal no Senado", com linha fina que diz que o senador "afirma que a Câmara já está à frente na discussão". A VEJA Brasil (centro-direita) usou "A decisão de Davi Alcolumbre sobre votação da PEC que diminui a maioridade penal no Brasil", e o texto registra que o senador "recuou" e que a oposição aguardava a votação, com críticas de Portinho ao descumprimento do acordo. Nesse campo, a leitura inclui o papel de Lula e a defesa da prioridade da Câmara.
