Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula, está nos EUA; Senado analisa voto remoto e agenda na CPAC
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado em 25 de outubro de 2026.

Resumo da cobertura
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado em 25 de outubro de 2026. Dias depois, deixou o Brasil com a família e chegou à Flórida em 28 de outubro, após passar pela Argentina e pelo Equador. A saída ocorreu apesar de determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que havia ordenado a entrega de passaportes e proibido o senador de deixar o país. Nos EUA, ele passou a contestar o resultado. Em 4 de novembro, a mulher, Fernanda Bolsonaro, publicou no Instagram: “Não vamos desistir do Brasil!”. No mesmo dia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que analisaria duas questões de ordem apresentadas por Randolfe Rodrigues (PT-AP) sobre o voto remoto de Flávio na sessão da PEC da Segurança Pública, realizada em 3 de novembro. Flávio deve participar, em 5 de novembro, da CPAC em Mar-a-Lago, segundo a organização do evento.
- No campo das finanças, a Revista Fórum informou que o empresário Marcelo Soares Cruz é o maior doador individual da campanha, com cerca de R$ 2,42 milhões, e que repassou cerca de R$ 585 mil após o segundo turno. Segundo levantamento do Metrópoles citado pela Fórum, empresas de Cruz têm contratos de R$ 81,3 milhões com prefeituras baianas; ele negou relação entre doações e contratos. A campanha declarou cerca de R$ 115,7 milhões em receitas até 3 de novembro. A Fórum também cita 85 doadores acima de R$ 100 mil. Os veículos não divergem sobre a data do segundo turno nem sobre a fuga para os EUA, mas o número de dias entre a derrota e a saída varia em algumas coberturas.
Como cada lado titulou
Como cada lado cobriu
Os três veículos de esquerda e centro-esquerda (Revista Fórum, Folha Cotidiano e UOL Notícias) enquadram o fato por ângulos diferentes. A Fórum destaca o dinheiro de campanha: “Quem é o maior doador de Flávio Bolsonaro, que repassou dinheiro após senador perder para Lula e fugir para” é sua manchete, com foco em doações feitas depois da derrota. A Folha Cotidiano, de centro-esquerda, trata da força política do bolsonarismo: “O voto no sangue: a República diante da neomonarquia bolsonarista”, com linha fina dizendo que a fuga para os EUA “não diminui a força política e eleitoral do bolsonarismo”. O UOL Notícias, também de centro-esquerda, enfoca a saída do país, com “Saída de Flávio Bolsonaro é fuga para 49% e exílio para 47%, diz pesquisa”, e traz a presença de Flávio em evento de Donald Trump na Flórida. Fórum e UOL concentram-se na saída do país, sendo que só a Fórum associa esse tema às doações.
Os três veículos de centro (Poder360, Notícias ao Minuto e Congresso em Foco) se dividem entre a mensagem de Fernanda Bolsonaro e a disputa política em torno de Flávio. O Poder360 destaca ““Não vamos desistir do Brasil”, diz mulher de Flávio, nos EUA” e também o pedido de Randolfe para anular o voto de Flávio, com “Alcolumbre vai avaliar pedido de Randolfe para anular voto de Flávio”. O Congresso em Foco segue a mesma linha da mensagem: “Dos EUA, Fernanda Bolsonaro afirma que família não desistirá do país”. O Notícias ao Minuto tem outro foco: “Derrotas, prisão e Trump enfraquecido: o que será dos Bolsonaro?” e “Flávio foge do país, mas Alcolumbre articula para protegê-lo, diz site”, que apresenta a suposta proteção do presidente do Senado a Flávio, citando uma coluna.
Os três veículos de direita e centro-direita (InfoMoney Geral, Gazeta do Povo Mundo e Revista Oeste) cobrem o fato por dois ângulos. A Gazeta do Povo e a Revista Oeste destacam a agenda de Flávio na CPAC, em Mar-a-Lago: “Flávio será palestrante em evento conservador na residência de Trump na Flórida” e “Flávio participa de conferência conservadora na residência de Trump”. A Oeste acrescenta a participação de Eduardo Bolsonaro, a entrada nos EUA por humanitarian parole e a fala de Trump de que Flávio pode permanecer “quanto tempo quiser”. O InfoMoney Geral, de centro-direita, destaca o voto remoto: “Senado irá analisar possibilidade de Flávio participar de outras votações dos EUA”, e informa que, nos bastidores, Alcolumbre não pretende impulsionar a perda do mandato.
