Mendonça concede prisão domiciliar a Maurício Camisotti, investigado por fraudes no INSS
Na quinta-feira (5/11), o ministro do STF André Mendonça determinou que o empresário Maurício Camisotti deixe a prisão preventiva e cumpra prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Resumo da cobertura
- Na quinta-feira (5/11), o ministro do STF André Mendonça determinou que o empresário Maurício Camisotti deixe a prisão preventiva e cumpra prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. A defesa havia pedido a medida, alegando excesso de tempo de prisão e problemas de saúde. Camisotti é apontado pela PF como operador financeiro do esquema de descontos indevidos em contracheques de aposentados e pensionistas no INSS, investigado na Operação Sem Desconto. Entre as restrições estão a proibição de contato com outros investigados, autoridades e políticos, de gerir entidades associativas e de movimentar bens bloqueados. Segundo o G1, a decisão está sob sigilo.
- As fontes divergem em alguns dados. O tempo de prisão aparece como desde setembro de 2025 no Valor, Estadão, G1 e UOL, como desde dezembro de 2025 no Metropoles e como 13 meses no Terra. O montante das fraudes também varia: o Metropoles fala em fraudes que chegariam a R$ 6,5 bilhões ao longo de pelo menos seis anos, enquanto o Terra e o Estadão citam cerca de R$ 1 bilhão movimentado pelas entidades. Sobre a delação premiada, o Metropoles afirma que Camisotti a assinou, o Estadão diz que o acordo ainda não foi assinado, a VEJA relata que o acordo com a PF está sendo refeito em análise conjunta com a PGR e precisa ser homologado pelo STF, e o Terra informa que ele negocia a delação.
Como cada lado titulou
Como cada lado cobriu
Os dois textos do UOL Notícias, veículo de centro-esquerda, são as únicas matérias do campo e trazem títulos diferentes para o mesmo fato. Um deles diz “Mendonça manda para prisão domiciliar empresário suspeito de desvio no INSS”, com foco na condição de suspeito. O outro diz “Mendonça autoriza prisão domiciliar de Camisotti, investigado por fraudes nos descontos do INSS”, com o verbo “autoriza” e o termo “investigado”. O segundo texto também informa que Camisotti está preso preventivamente desde setembro de 2025 e é apontado como beneficiário das fraudes. A leitura do campo vem apenas do UOL Notícias.
Os quatro veículos de centro dão ênfases diferentes. O Metropoles Colunas abre com “Farra do INSS: André Mendonça manda Maurício Camisotti para domiciliar”, usando o termo “farra” para o esquema. O Valor Econômico titula “Mendonça manda empresário suspeito de desvios no INSS para prisão domiciliar” e destaca que a decisão atendeu ao pedido da defesa. A G1 Política usa “Mendonça substitui prisão preventiva de empresário Maurício Camisotti por domiciliar” e acrescenta que ele “chegou a negociar uma delação premiada, mas a PGR pediu ajustes”. O Terra Notícias destaca “encarcerado há 13 meses” e a avaliação do ministro de que as medidas cautelares bastariam, sem risco às investigações. Ao tratar da delação, o Metropoles diz que Camisotti “assinou um acordo”, enquanto a G1 e o Terra falam em negociação.
Os dois veículos de centro-direita enquadram o fato de modos diferentes. O Estadão titula “Mendonça manda para prisão domiciliar empresário suspeito de desvios no INSS encarcerado há 13 meses” e descreve Camisotti como operador de associações que faziam descontos nas folhas de aposentados, com cerca de R$ 1 bilhão movimentado. O texto também informa que a delação “ainda não foi assinada”. A VEJA Brasil, com “Mendonça concede prisão domiciliar a empresário investigado por fraudes no INSS”, dá voz à defesa e cita os advogados Daniel Bialski e Pierpaolo Bottini, para quem “Maurício jamais atrapalhou o andamento das investigações”. A leitura do campo vem de apenas dois veículos.
